Case de produto · eduK Gerando Renda · EJA · Q2 2024
A eduK tinha conteúdo. Tinha parceria com o governo. Tinha alunos. O que não tinha era a resposta certa para uma pergunta errada — e conduzir o discovery que revelou isso foi o meu principal trabalho nesse projeto.
A eduK havia firmado parceria com instituições públicas para oferecer acesso gratuito à plataforma a alunos da EJA — Educação de Jovens e Adultos. O modelo de ativação existente dependia de ações presenciais conduzidas por facilitadores externos. Após essas ações, o uso caía. O diagnóstico inicial apontava para barreiras de acesso e letramento digital.
Mas quanto mais eu olhava para os dados e para os relatos do campo, mais ficava claro que o problema tinha outra raiz. Os professores — que deveriam ser os maiores aliados da plataforma dentro das escolas — não se sentiam parte do processo. A plataforma chegava como algo externo, imposto, sem espaço para integração com a prática pedagógica já existente.
A pergunta que estávamos tentando responder era “como fazer mais alunos usarem a plataforma?” Mas a pergunta certa era outra: “por que os professores não estavam levando os alunos até ela?”
Conduzi um processo de discovery com foco no contexto real de uso dentro das escolas. Isso envolveu entrevistas qualitativas com professores de diferentes regiões, análise da rotina escolar e das restrições práticas do ambiente EJA, e um benchmark com o programa MenteInovadora — iniciativa da própria Mind Lab com histórico consolidado de engajamento em escolas públicas.
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A síntese das entrevistas revelou dois perfis distintos de professor: os que enxergavam valor na plataforma e buscavam formas de integrá-la, e os que apresentavam resistência ativa — não por má vontade, mas porque o modelo de implantação não respeitava o contexto pedagógico deles.
Dois trechos de entrevista sintetizam bem o que a pesquisa revelou:
“Foi algo muito vertical, não houve conversa. Tinha que ter sido mais horizontal, com calma, precisava ter algo alinhado com a metodologia.”
“Os cursos são tudo pra ensinar as pessoas a executarem e não a pensar. Tem que formar um profissional que pensa, não só técnicas.”
Essas falas mudaram a direção do projeto. Não era uma questão de UX nem de acesso — era uma questão de pertencimento. A plataforma precisava ser sentida como parte da rotina escolar, não como uma imposição externa. E isso só aconteceria se o professor fosse tratado como multiplicador, não como executor.
A partir da síntese do discovery, propus a criação da Rede de Multiplicadores eduK — um modelo de ativação escalável fundamentado em três pilares:
Encantar o professor antes de querer engajar o aluno. Treinamento especializado, autonomia pedagógica e papel ativo na curadoria de trilhas.
Conteúdo organizado em 3 níveis — Passos Iniciais, Construindo Pontes e Alavanca de Prosperidade — respeitando o nível de letramento digital de cada aluno.
Certificados por trilha, moedas por curso concluído e gatilhos de incentivo ao longo da jornada para reduzir o abandono precoce.
A proposta foi apresentada aos stakeholders internos ao final do Q2 2024. A implementação das trilhas na plataforma e a prototipação do módulo no painel administrativo ficaram como próximos passos para o time de produto e tecnologia.
Nem todo trabalho de produto vira feature. Essa proposta não foi implementada, mas o processo que a gerou — 28 professores ouvidos, um diagnóstico refeito do zero, uma estratégia construída sobre evidências reais — é o que considero o valor central desse case.